...apontamentos dispersos sobre as facetas de um Homem bom e honrado, que lutou pelos seus valores e valorizou, como pôde e soube, todos os que travaram com ele. Inteligente, bom, e soldado da democracia...

05
Set 13

Lúcio de Almeida durante a campanha do General Norton de Matos

Diário de Lisboa , 1949 Fevereiro 5

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Neste texto (distribuído por 3 págs), em grande destaque no Diário de Lisboa, Lúcio de Almeida, revela-se de uma inteligência hábil contra os argumentos falaciosos da ditadura portuguesa. Afirma o valor da democracia, como imperativo de uma sociedade que pretende a dignificação de cada ser humano.  Revela-se frontal,  de grande clarividência e extremamente bem informado.  O pior, para ele, é que o afirma em pleno vigor da ditadura: estamos em 1949!

 

Pessoalmente e profissionalmente Lúcio de Almeida está também no seu auge: de presidente da AAC e estudante brilhante (19 valores no Curso de Medicina), atinge por mérito próprio o lugar de Professor Catedrático de Coimbra. Como Professor influenciava certamente outras inteligências inquietas a resistirem ao comodismo, à mediocridade e à miséria humana. Utiliza o seu prestigio em favor do bem comum, da res publica.

 

Mas Lúcio de Almeida foi, sobretudo, um filantropo, quer para os que o conheceram proximamente, quer para os que a ele acorriam(muitas vezes em desespero, ou procurando uma melhor opinião clínica) quando precisavam de um médico. Simultaneamente foi impiedoso com a ignorância, com a miséria, com o comodismo, e com a ditadura (simultaneamente causa e consequência das primeiras) os quais combateu, sem tréguas, até ao fim da sua vida.

 

Claro que este edital pro-democracia, não escapa aos ímpetos de Salazar - ia travar-se um combate desigual -o também beirão e académico de Coimbra, Lúcio de Almeida, a partir deste momento perde tudo o mais a que podia chegar se tivesse ficado oculto, na sombra, no compromisso, na omissão: em virtude desta impertinência, nunca chegará a director da sua faculdade; nunca chegará a presidente da Ordem dos Médicos: lugares de um modo ou outro em interface com o poder político; em contraponto, já o lugar de presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria não deixou de lhe ser atribuído.

publicado por jmma às 21:39

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