...apontamentos dispersos sobre as facetas de um Homem bom e honrado, que lutou pelos seus valores e valorizou, como pôde e soube, todos os que travaram com ele. Inteligente, bom, e soldado da democracia...

09
Set 13

No final de mais um exame de Pediatria, o Prof. Lúcio de Almeida anuncia ao aluno, (que com essa cadeira conlcuía também a Licenciatura em Medicina), que tinha concluído o exame com aproveitamento. E anuncia-o, mais ou menos, da seguinte maneira:

"Está passado! Mas...se alguma vez me encontrar no chão, a precisar de ser socorrido,... não me toque: chame um médico !"

 

No meu entender há 2 aspectos muito sérios nesta "brincadeira" do professor:

 

1) um licenciado não é - no imediato - um profissional da matéria (esta máxima aplica-se a qualquer licenciado; a qualquer aprendiz de profissão);

 

2) debaixo do espírito académico coimbrão, há que tirar as peneiras ao caloiro, quando ele chega à Universidade; mas também há que tirar a "cagança" ao recém-licenciado, quando dela sai. No caso do licenciado "de fresco" é de amigo - de amigo, repito - preveni-lo do seguinte: licenciou-se mas isso não é sinónimo de "saber tudo" , nem provavelmente sabe o suficiente (nester caso, para executar o acto médico). Há, portanto que - humildemente - entender que deve esforçar-se continuamente pela aquisição de competências no, e para, o exercício da profissão e, ao mesmo tempo, pela actualização científica, (sem a qual não poderá ser bom, apenas medíocre).

 

Estou certo que o professor quis dizer o seguinte: " o médico não é o licenciado em medicina" ou, "um médico é mais que um licenciado em medicina", ou até "há licenciados em medicina que não sao médicos". De resto, mutatis mutandis  (mudando o que deve ser mudado) estas máximas podem aplicar-se a um qualquer licenciado, a um qualquer profissional.

 

Finalmente, não sei, nem provavelmente interessa saber, se o alvo desta "tirada" do Prof. Lúcio de Almeida foi algum aluno "fraquinho". É mais certo que ele tenha aplicado esta máxima com um alcance mais global, de quem sabe o que é - verdadeiramente - exercer a medicina no dia-a-dia: debaixo de todas as adversidades e falta de recursos externos, contando apenas com os próprios.

Não enjeito que ele possa ter aproveitado a oportunidade frente a algum aluno menos brilhante. Mas, como disse, isso é o que menos interessa, porque um homem como Lúcio de Almeida, queria, por certo, passar a advertência a todos eles: desde os mais brilhantes até aos suficientes - todos eles precisando de ser avisados do mesmo!

publicado por jmma às 13:56

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