...apontamentos dispersos sobre as facetas de um Homem bom e honrado, que lutou pelos seus valores e valorizou, como pôde e soube, todos os que travaram com ele. Inteligente, bom, e soldado da democracia...

11
Nov 13

http://www.youtube.com/watch?v=wPCwEnjJLdk&feature=youtube_gdata_player&desktop_uri=%2Fwatch%3Fv%3DwPCwEnjJLdk%26feature%3Dyoutube_gdata_player&app=desktop

 

 

 

publicado por jmma às 13:06

02
Out 13

O texto integral (fac-simile) da tese de doutoramento, pode ser apreciado e consultado em:

 

http://bdigital.sib.uc.pt/hc/UCSIB-5-56-8-33/UCSIB-5-56-8-33_item1/index.html

 

publicado por jmma às 09:00

11
Set 13

Lúcio de Almeida e a Sociedade Portuguesa de Pediatria:

 

Foi sócio-fundador da Sociedade Portuguesa de Pediatria (fundada em 1948) e um dos seus primeiros presidentes

http://www.spp.pt/conteudos/default.asp?ID=3

publicado por jmma às 16:16

09
Set 13

No final de mais um exame de Pediatria, o Prof. Lúcio de Almeida anuncia ao aluno, (que com essa cadeira conlcuía também a Licenciatura em Medicina), que tinha concluído o exame com aproveitamento. E anuncia-o, mais ou menos, da seguinte maneira:

"Está passado! Mas...se alguma vez me encontrar no chão, a precisar de ser socorrido,... não me toque: chame um médico !"

 

No meu entender há 2 aspectos muito sérios nesta "brincadeira" do professor:

 

1) um licenciado não é - no imediato - um profissional da matéria (esta máxima aplica-se a qualquer licenciado; a qualquer aprendiz de profissão);

 

2) debaixo do espírito académico coimbrão, há que tirar as peneiras ao caloiro, quando ele chega à Universidade; mas também há que tirar a "cagança" ao recém-licenciado, quando dela sai. No caso do licenciado "de fresco" é de amigo - de amigo, repito - preveni-lo do seguinte: licenciou-se mas isso não é sinónimo de "saber tudo" , nem provavelmente sabe o suficiente (nester caso, para executar o acto médico). Há, portanto que - humildemente - entender que deve esforçar-se continuamente pela aquisição de competências no, e para, o exercício da profissão e, ao mesmo tempo, pela actualização científica, (sem a qual não poderá ser bom, apenas medíocre).

 

Estou certo que o professor quis dizer o seguinte: " o médico não é o licenciado em medicina" ou, "um médico é mais que um licenciado em medicina", ou até "há licenciados em medicina que não sao médicos". De resto, mutatis mutandis  (mudando o que deve ser mudado) estas máximas podem aplicar-se a um qualquer licenciado, a um qualquer profissional.

 

Finalmente, não sei, nem provavelmente interessa saber, se o alvo desta "tirada" do Prof. Lúcio de Almeida foi algum aluno "fraquinho". É mais certo que ele tenha aplicado esta máxima com um alcance mais global, de quem sabe o que é - verdadeiramente - exercer a medicina no dia-a-dia: debaixo de todas as adversidades e falta de recursos externos, contando apenas com os próprios.

Não enjeito que ele possa ter aproveitado a oportunidade frente a algum aluno menos brilhante. Mas, como disse, isso é o que menos interessa, porque um homem como Lúcio de Almeida, queria, por certo, passar a advertência a todos eles: desde os mais brilhantes até aos suficientes - todos eles precisando de ser avisados do mesmo!

publicado por jmma às 13:56

07
Set 13

Lúcio de Almeida

(Sezures, Penalva do Castelo; 1896-Abril-15 – Rio de Moinhos, Sátão; 1980-Março-26)

Professor Catedrático de Pediatria da Universidade de Coimbra nasceu em Sezures, Penalva do Castelo, em 1896.

Lúcio de Almeida presidiu à Associação Académica de Coimbra no ano de 1922/1923, o mesmo em que terminou a licenciatura em Medicina, com 19 valores, tendo conquistado o grau académico de Doutor cinco anos mais tarde.

Eleita em Dezembro de 1922, a direcção de Lúcio de Almeida era constituída por mais dois elementos: Teófilo Esquível e Joaquim Moura Relvas. Para além da Associação Académica, e mesmo antes de ser presidente, Lúcio de Almeida esteve ligado ao Centro Académico Republicano, organismo político para defesa e propaganda do republicanismo.

Na Universidade, Lúcio de Almeida foi um grande defensor da democracia, “semente e ânimo para os estudantes, ansiosos como ele de liberdade e progresso, que obtinham a sua cumplicidade e ajuda”, tendo a sua exoneração de professor universitário sido apreciada em Conselho de Ministros, presidido por Salazar. Permaneceu na cátedra, mas nunca ascendeu a cargos de nomeação política

A par da docência universitária, Lúcio de Almeida foi Director da Clínica Pediátrica dos Hospitais da Universidade de Coimbra, (1941-1966), Fundador e Presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria (1952-54), sócio da Société Française de Pédiatrie, Presidente da Obra Anti-Tuberculosa e do Dispensário Anti-Tuberculoso de Coimbra e Director do Laboratório de Radiologia (1965-66), tendo publicado inúmeros artigos em revistas científicas.

Quando a 26 de Março de 1980 os sinos da torre da Universidade, que o não viam desde 1966, dobraram pela sua morte, falecia na Beira Alta um homem íntegro, exigente consigo e com o seu semelhante, mas de enorme humanidade, empreendorismo, irreverência e com muito espírito.

“Mestre e Amigo”, como se lê numa dedicatória de Fernando Namora; “amigo dos Pobres” noutra que lhe fez Padre Américo; e “médico eminente”, “com interesse pelos doentes, sem limites”, dotado “de enorme poder de diagnóstico, fruto de grande intuição clínica” como se lê em variados artigos de homenagem, que chegaram ao Diário de Coimbra e Correio de Coimbra de vários pontos do país, por alturas do centenário do seu nascimento (Diário de Coimbra, 17 Dez. 1996, 1.Ago.1997 e Correio de Coimbra, 7 Nov. 1996).

Actualmente o seu nome está gravado em diversas ruas, seja em Coimbra, Sátão, Rio de Moinhos (Sátão) ou nas origens, Penalva do Castelo, bem como no coração dos que o conheceram e lhe devem a saúde, a vida, a liberdade…

 

 

 

 

 

Lúcio de Almeida e o seu filho Luís Manuel Cardoso de Menezes de Almeida

 

 
 

Universidade de Coimbra:
Professor Catedrático da Universidade de Coimbra e, além de médico, médico pediatra e precursor da pediatria e do seu ensino em Portugal.
Professor Catedrático de Pediatria (1942-1966).

http://www.uc.pt/org/historia_ciencia_na_uc/autores/ALMEIDA_Luciode

Hospitais da Universidade de Coimbra:
 Director de Clínica Pediátrica dos Hospitais da Universidade (15.7.1941, 25.08.1966).

(Foi director do Serviço de Pediatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra até à sua jubilação).

Paris:

Missão de estudo em 1934-1935.

Ordem dos Médicos:
Delegado em Coimbra da Ordem dos Médicos (criada em 1938) em 1940-1944, e seu Vice-Presidente em 1942-1944.

Sociedade Portuguesa de Pediatria:
Foi sócio-fundador da Sociedade Portuguesa de Pediatria (fundada em 1948) e um dos seus primeiros presidentes

http://www.spp.pt/conteudos/default.asp?ID=3


Sócio correspondente da Société Française de Pédiatrie.

Outros cargos:

http://www.uc.pt/iii/historia_ciencia_na_UC/autores/ALMEIDA_Luciode

 

Toponímia da Cidade de Coimbra:

https://sites.google.com/site/memoriadecoimbra/dicionario/a/de

 

publicado por jmma às 01:52

06
Set 13

Um jornal brasileiro dá notícia de uma comissão de honra, enviada ao Porto, para homenagear "um velho democrata português", no dia do seu 89º aniversário. António Luiz Gomes havia sido reitor da Universidade de Coimbra e ministro do primeiro governo provisório da República.

Integraram essa comissão de honra, Tito de Morais, Domingos Pereira, Câmara Reis, Ramos de Almeida, Jaime Cortesão, Ferreira de Castro e Lúcio de Almeida. Foi notícia do Correio da Manhã, (Recife?- Brasil) em 27 de Setembro de 1952.

publicado por jmma às 12:53

 

 

  

 

http://kaligraphias.blogspot.pt/2011/12/minha-homenagem-de-lucio-de-almeida.html

publicado por jmma às 12:38

05
Set 13

Lúcio de Almeida durante a campanha do General Norton de Matos

Diário de Lisboa , 1949 Fevereiro 5

http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=05784.048.11874

Neste texto (distribuído por 3 págs), em grande destaque no Diário de Lisboa, Lúcio de Almeida, revela-se de uma inteligência hábil contra os argumentos falaciosos da ditadura portuguesa. Afirma o valor da democracia, como imperativo de uma sociedade que pretende a dignificação de cada ser humano.  Revela-se frontal,  de grande clarividência e extremamente bem informado.  O pior, para ele, é que o afirma em pleno vigor da ditadura: estamos em 1949!

 

Pessoalmente e profissionalmente Lúcio de Almeida está também no seu auge: de presidente da AAC e estudante brilhante (19 valores no Curso de Medicina), atinge por mérito próprio o lugar de Professor Catedrático de Coimbra. Como Professor influenciava certamente outras inteligências inquietas a resistirem ao comodismo, à mediocridade e à miséria humana. Utiliza o seu prestigio em favor do bem comum, da res publica.

 

Mas Lúcio de Almeida foi, sobretudo, um filantropo, quer para os que o conheceram proximamente, quer para os que a ele acorriam(muitas vezes em desespero, ou procurando uma melhor opinião clínica) quando precisavam de um médico. Simultaneamente foi impiedoso com a ignorância, com a miséria, com o comodismo, e com a ditadura (simultaneamente causa e consequência das primeiras) os quais combateu, sem tréguas, até ao fim da sua vida.

 

Claro que este edital pro-democracia, não escapa aos ímpetos de Salazar - ia travar-se um combate desigual -o também beirão e académico de Coimbra, Lúcio de Almeida, a partir deste momento perde tudo o mais a que podia chegar se tivesse ficado oculto, na sombra, no compromisso, na omissão: em virtude desta impertinência, nunca chegará a director da sua faculdade; nunca chegará a presidente da Ordem dos Médicos: lugares de um modo ou outro em interface com o poder político; em contraponto, já o lugar de presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria não deixou de lhe ser atribuído.

publicado por jmma às 21:39

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